Claro
|
|
|
|
Título Original: Claro.Ficção, longa-metragem, colorido (Eastmancolor), 3.000 metros, 110 minutos. Roma, Itália, 1975. Companhia produtora: DPT-SPA; Produtor: Alberto Marucchi; Coprodutor: Marco Tamburella; Diretor de produção:Ugo Persichetti Auteri; Produtores executivos: Giacomo Lova e Loya Telli; Direção: Glauber Rocha; Assistente de direção: Anna Carini; Diretor de fotografia: Mario Gianni; Técnicos de som: Manlio e Davide Magara; Música: Samba de Roda, Maculelê, Bella Ciao, Casta Diva, Internazionale Bandiera Rossa, Villa-Lobos, Vivaldi (As 4 Estações), João de Barro (Primavera no Rio), J. Flores e M. O. Guerreiro (Índia, versão de José Fortuna, cantada por Gal Costa). Elenco: Juliet Berto, Mackay, Luis Maria Olmedo (“El Cachorro”), Tony Scott, Jirges Ristum, Luis Waldor, Betina Best, Yvone Taylor, Francesco Serrao, Anna Carini, Jarine Janet, Luciana Liquori, Peter Adarire, Glauber Rocha, Carmelo Bene, o povo de Roma.
|
|
.
"Uma visão brasileira de Roma. Ou melhor, um depoimento do colonizado sobre a terra da colonização."
Tendo Roma como cenário e a cultura romana como
alvo, Claro não tem um enredo narrativo e uma estrutura tradicional, misturando
ópera (sobretudo a partir da trilha musical que reúne Bellini e Villa-Lobos),
documentário, filme-testemunho e ensaio. A presença no elenco do instigante
realizador italiano Carmelo Bene e da atriz francesa Juliet Berto valorizam um
filme irreverente, provocativo, um dos mais autorais de Glauber e onde sua
assinatura indelével se corporifica em cada plano.
ENTREVISTA
Por que este título?
Porque queria ver claro nas contradições
da sociedade capitalista de nosso tempo.
Você está seguro de que esta clareza
será transmitida também aos espectadores?
Não sou profeta. Creio honestamente ter feito
um filme sem ambiguidades, quero dizer não ambíguo sobre o plano
político. Por exemplo, parece-me bastante claro o momento em que, na
conclusão do filme, a gente pobre ocupa literalmente a tela: o povo deve
ocupar o espaço que lhe foi arrancado em séculos de repressão.
Quanto a minha relação com o público, posso dizer que não
tenho mesmo uma visão paternalista de espectador. A minha, pelo contrário,
é também uma obra aberta, que deixa amplo espaço à livre
interpretação, mas, repito, sem nunca ser ambíguo.
Diga alguma coisa sobre a protagonista feminina e
sobre o significado da sequência inicial.
A protagonista é também um mito, um
mito que atravessa o filme: poderia ser o mito da inocência, da ingenuidade
em relação com o mundo hostil, repressivo. O diálogo musical
do início, entre a moça e a voz fora do campo, é uma espécie
de exorcismo, um fato ritual, um batepronto entre passado e presente, entre
angústia e esperança. É também um modo de combater
a neurose que creio ser um produto típico do sistema capitalista.
Entrevista com Glauber Rocha, no Paese Sera, Roma, edição de 23/jul./1975.