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Biografia
| 1964 |
Quando ocorre o golpe militar Glauber está fora do país, na sua segunda viagem à Europa para levar “Deus e o Diabo na Terra do Sol” ao Festival de Cannes. O filme concorre à Palma de Ouro, é exibido em 11 de maio, mas não é premiado. Os amigos e a família escrevem a Glauber pedindo que não volte imediatamente ao Brasil devido à crise política. Glauber vai à Paris e viaja pela Itália. Exibe seu filme no México, viaja pelos Estados Unidos, vai a Nova York e Los Angeles, conhece Hollywood. Recebe o Prêmio da Crítica mexicana no Festival Internacional de Acapulco, o Grande Prêmio do Festival de Cinema Livre, na Itália, e o Náiade de Ouro do Festival Internacional de Porreta Terme, também na Itália. Maurício do Valle, como Antônio das Mortes, recebe o Prêmio Saci de Melhor Ator Coadjuvante dado pelo jornal O Estado de S. Paulo. No dia 19 de junho, “Deus e o Diabo” estréia no Rio de Janeiro nos cinemas Caruso, Bruni-Flamengo e ópera, entre outros do circuito Lívio Bruni. Em 26 de junho, devido ao sucesso de “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, “Barravento” é lançado no Rio, nos cinemas Plaza, Riviera, Olinda e Mascote, anunciado como um filme de "violência, sexo, suspense e fetichismo", apresentando "a beleza satânica de uma mulher no mais excitante nu do cinema!". • João Goulart é deposto pelo golpe militar. O Marechal Humberto Castelo Branco é nomeado presidente da República. É criado o SNI (Serviço Nacional de Informação). O Brasil rompe relações com Cuba. O Golpe interrompe as filmagens de “Cabra Marcado para Morrer”, de Eduardo Coutinho. São feitos os documentários “Maioria Absoluta”, de Leon Hirszman, “Integração Racial”, de Paulo César Saraceni, “Meninos do Tietê”, de Maurício Capovilla e os filmes “Noite Vazia”, de Walter Hugo Khoury, e “Selva Trágica”, de Roberto Farias. |
| 1965 |
Ainda fora do Brasil, Glauber lança o texto-manifesto "A Estética da Fome", apresentado em janeiro na Resenha do Cinema Latino Americano, em Gênova. O texto, escrito no avião entre Los Angeles e Milão, traz as bases estéticas e políticas do Cinema Novo e critica o paternalismo europeu em relação ao Terceiro Mundo. Surge a Mapa Filmes que tem como sócios Glauber, Zelito Viana, Walter Lima Jr., Paulo César Saraceni e Raymundo ("Dico") Wanderley Reis. Glauber co-produz “Menino de Engenho”, de Walter Lima Jr. Em novembro, é preso num protesto contra o regime militar em frente ao Hotel Glória, no Rio de Janeiro, durante reunião da 0EA (Organização dos Estados Americanos). São presos com Glauber: Joaquim Pedro de Andrade, Mário Carneiro, Flávio Rangel, Antonio Callado, Carlos Heitor Cony, Jaime Rodrigues, Márcio Moreira Alves. A prisão tem repercussão internacional e um telegrama de protesto assinado por Truffaut, Godard, Alain Resnais, Joris Ivens e Abel Gance é enviado ao presidente Castelo Branco e apressa a saída da prisão. No final do ano, Glauber viaja para o Amazonas, onde passa o Natal de 65 filmando, em Manaus e Parintins, em meio a problemas de produção, o curta “Amazonas Amazonas”, seu primeiro filme colorido. A Editora Civilização Brasileira publica “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, com textos e entrevistas de diferentes autores sobre o filme. • A política, o cenário urbano e o mundo rural marcam as produções do Cinema Novo: “O Desafio”, de Paulo César Saraceni, “São Paulo S. A.”, de Luiz Sérgio Person, “A Falecida”, de Leon Hirszman, “Menino de Engenho”, de Walter Lima Jr., “O Circo”, de Arnaldo Jabor. São realizados os documentários: “Viramundo”, de Geraldo Sarno, “Memória do Cangaço”, de Paulo Gil Soares, “Nossa Escola de Samba”, de Manuel Jimenez. Surge a Difilm, cooperativa de distribuição dos filmes do Cinema Novo. É criado o curso de cinema da Universidade de Brasília. Acontece o 1° Festival do Filme, no Rio, e o Festival do Curta-Metragem Jornal do Brasil. Nos EUA, na Califórnia, surgem as primeiras comunidades hippies. |
| 1966 |
Filma, no início do ano, o curta-metragem “Maranhão 66”, documentando a posse do governador do Maranhão, José Sarney. A experiência servirá na concepção de seqüências de campanhas políticas em “Terra em Transe”. “Deus e o Diabo na Terra do Sol” recebe o Grande Prêmio Latino-Americano no Festival Internacional de Mar del Plata. O roteiro do filme é publicado na coleção italiana Cineforum. “Deus e o Diabo na Terra do Sol” é capa da revista francesa Positif n° 73, de fevereiro, que inclui o manifesto "A estética da violência" e o artigo "Cangaço 65, Crise du Brésil". Glauber co-produz “A Grande Cidade”, de Cacá Diegues. • O Cinema Novo diversifica seus caminhos com “O Padre e a Moça”, de Joaquim Pedro de Andrade, “A Grande Cidade”, de Cacá Diegues, “A Hora e a Vez de Augusto Matraga”, de Roberto Santos, “Os Subterrâneos do Futebol”, de Maurício Capovilla. Leila Diniz faz “Todas as Mulheres do Mundo”, comédia de Domingos de Oliveira de grande sucesso. É criado o Instituto Nacional do Cinema, presidido por Flávio Tambellini. Paulo Emilio Salles Gomes e Adhemar Gonzaga publicam 70 anos de cinema brasileiro.
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| 1967 |
Terceira viagem de Glauber a Europa para levar “Terra em Transe” ao Festival de Cannes. O filme é proibido em todo o território nacional em abril, considerado subversivo e ofensivo à Igreja. A proibição é manchete de todos os jornais. O filme é liberado no dia 3 de maio, sua exibição causa polêmica no Rio. Editorial da Tribuna da Imprensa taxa o filme de "antipúblico". Exibido no Festival de Cannes, “Terra em Transe” ganha os Prêmios Luis Buñuel, conferido pela crítica espanhola, e o da FIPRESCI - Federação Internacional de Imprensa Cinematográfica. No Rio, o filme fica em cartaz durante quatro semanas em dez cinemas. Em São Paulo é recebido com entusiasmo por Paulo Emílio Salles Gomes, Almeida Salles, Rudá de Andrade, Roberto Santos, entre outros. Em sessão para estudantes organizada pelo Teatro Universitário de São Paulo (TUSP) o filme é interrompido por aplausos ao longo de sua exibição. A repercussão do filme no Brasil é relatada nas cartas que Glauber recebe dos amigos. De Cannes, Glauber viaja para Paris. Participa do Festival de Veneza, onde encontra Luis Buñuel. No final de julho exibe “Terra em Transe” em Locarno, na Suíça e Montreal, no Canadá, onde encontra Jean Renoir. No Festival Internacional do Filme de Locarno, “Terra em Transe” recebe o Grande Prêmio e o Prêmio da Crítica. Em Havana, é considerado pela crítica cubana o melhor filme do ano. No Rio, recebe do Museu da Imagem e do Som o Prêmio Golfinho de Ouro de Melhor Filme. No Festival de Cinema de Juiz de Fora ganha quatro prêmios: Melhor Filme, Menção Honrosa de Melhor Roteiro, Melhor Ator Coadjuvante para Modesto de Sousa, Prêmio Especial para Luís Carlos Barreto, pela fotografia e produção do filme. No mesmo ano, Glauber participa como co-roteirista de “Garota de Ipanema”, de Leon Hirszman. Escreve os textos: "A Revolução é uma Eztetyka"; "Teoria e prática do cinema latino-americano"; "Revolução Cinematográfica e Tricontinental" (inspirado na Conferência Tricontinental em Havana). • O Marechal Artur da Costa e Silva é nomeado presidente. Carlos Marighella vai para Cuba como representante da OLAS (Organização LatinoAmericana de Solidariedade) e cria a ALN (Aliança Libertadora Nacional), organização clandestina de extrema esquerda. Morre Che Guevara, na Bolívia. Régis Debray lança sua teoria do foco. “O Rei da Vela”, peça de Oswald de Andrade encenada por José Celso Martinez Corrêa, e "Alegria, Alegria", música de Caetano Veloso, marcam o início do Tropicalismo. Zé Celso dedica seu espetáculo a Glauber. Antonio Callado publica “Quarup”, romance que Glauber pretendia adaptar e cujo projeto aparece ao longo de sua correspondência. São lançados: “Opinião Pública”, documentário de Arnaldo Jabor, “Garota de Ipanema”, de Leon Hirszman, “O Caso dos Irmãos Naves”, de Luiz Sérgio Person. O moderno cinema brasileiro experimenta novos caminhos com “A margem”, de Ozualdo Candeias, “Esta noite Encarnarei no teu Cadáver”, de José Mojica Marins, “Cara a Cara”, de Júlio Bressane. Jean-Claude Bernardet publica “Brasil Em Tempo de Cinema”, análise sobre o Cinema Novo. Joaquim Pedro de Andrade realiza o documentário “Cinema Novo” para a televisão alemã, com trechos da filmagem de “Terra em Transe”. |