Biografia

 

1960

Nasce a primeira filha de Glauber, Paloma de Melo Silva Rocha, em 12 de junho. Glauber trabalha como produtor executivo de “A Grande Feira”, longa-metragem de Roberto Pires, produzido por Rex Schindler. Iniciadas as filmagens de “Barravento” por Luiz Paulino dos Santos, Glauber trabalha na produção executiva. Após um conturbado início de filmagem, Glauber assume a direção de “Barravento”, aproveitando alguns copiões de Luiz Paulino, mas refazendo o roteiro. Em carta de 2 de novembro conta a Paulo Emílio Salles Gomes como tornou-se diretor. Começa a corresponder-se com o cubano Alfredo Guevara.

 • Joaquim Pedro de Andrade realiza o curta-metragem “Couro de Gato”. Carlos Coimbra lança “A Morte comanda o Cangaço”, explorando o filão dos filmes de cangaceiros. Nelson Pereira dos Santos vai para a Bahia filmar “Vidas Secas”, mas, com as chuvas filma “Mandacaru Vermelho”. A equipe hospeda-se na pensão de Lúcia Rocha. Inauguração de Brasília. Sar­tre e Simone de Beauvoir visitam a Bahia e dão conferência em Salvador.

 

1961

Glauber e Helena Ignez separam-se. Finaliza Barravento no Rio de Janeiro. "Voltei para o Rio, e com Nelson Pereira dos Santos montei Barravento, entre as palmeiras selvagens da paixão entre Edla (Van Steen), Regina (Rosemburgo) e Rosa (Maria Penna)". Glauber conhecera Rosa na PUC, durante uma conferência que proferia sobre Luis Buñuel. .

• O cinema baiano destaca-se com “Bahia de Todos os Santos”, de Trigueirinho Neto, “A Grande Feira”, de Roberto Pires, e “Barravento”, de Glauber. É criado o Geicine (Grupo Executivo da Indústria Cinematográfica). Jânio Quadros deixa a presidência da República. João Goulart assume em meio à crise política.

 

1962

Primeira viagem de Glauber à Europa. “Barravento” recebe o Prêmio Opera Prima no Festival Internacional de Cinema de Karlovy Vary, na Tchecoslováquia. No mesmo ano, o filme também é apresentado no Festival de Sestri Levanti, Itália. Glauber participou do Festival de Santa Margherita, na Itália. Conhece Praga, Roma, Paris, Lisboa. Produz o curta-metragem “Imagens da Terra e do Povo”, de Orlando Senna. Conhece o crítico francês Georges Sadoul numa viagem deste à Bahia e o reencontra em Karlovy Vary.

Projetos: em carta para Alfredo Guevara de 21 de novembro, fala pela primeira vez em realizar “América Nuestra”, um épico sobre a América Latina que não seria realizado. Paulo Emilio Salles Gomes propõe a Glauber dirigir, na Bahia, o filme “Dina do Cavalo Branco”, roteiro de Paulo Emilio não realizado. Glauber responde à proposta em carta de Salva­dor, sem data, provavelmente de 1962.

 • Início do Cinema Novo com a explosão da produção cinematográfica a partir do Rio. “Cinco Vezes Favela” é produzido pelo Centro Popular de Cultura (CPC) da UNE, reunindo cinco curtas de Leon Hirszman, Joaquim Pedro de Andrade, Cacá Diegues, Miguel Borges e Marcos Farias. Ruy Guerra lança “Os Cafajestes”. “O Pagador de Promessas”, de Anselmo Duarte, ganha a Palma de Ouro em Carnes. São lançados: “Boca de Ouro”, de Nelson Pereira dos Santos, “O Assalto ao Trem Pagador”, de Roberto Farias, Romeiros da Guia, de João Ramiro Mello e Vladimir Carvalho. É organiza­do o Conselho Nacional dos Cineclubes.

 

1963

- No dia 18 de junho Glauber inicia as filmagens de “Deus e o Diabo na Terra do Sol” no sertão da Bahia, concluídas em 2 de setembro. Publica “Revisão Crítica do Cinema Brasileiro” pela Editora Civilização Brasileira. Começa a colaborar com a revista Cine Cubano. Em 16 de junho, o escritor Alberto Moravia faz, no L'Espresso, crítica elogiosa de “Barravento”. Segundo Moravia, trata-se de "um dos mais belos filmes que temos visto atualmente". Em agosto, “Barravento” é selecionado para o Festival de Cinema de Londres e, em setembro, incluído entre os dez filmes escolhi­dos para o Festival de Cinema de Nova York, que inaugura o Lincoln Center for the Performing Arts. Em carta para Paulo César Saraceni de abril/maio propõe adaptar o romance “Menina Morta”, de Cornélio Penna, para o cinema.

 • O Cinema Novo ganha visibilidade com três grandes filmes sobre o Nordeste: “Vidas Secas”, de Nelson Pereira dos Santos, “Deus e o Diabo na Ter­ra do Sol”, de Glauber, lançado em 64, e “Os Fuzis”, de Ruy Guerra. Outros filmes se destacam: “Ganga Zumba”, de Cacá Diegues, “Garrincha: Alegria do Povo”, de Joaquim Pedro de Andrade, “Porto das Caixas”, de Paulo César Saraceni, “A Ilha”, de Walter Hugo Khoury. Torna-se obrigatória a exibição de filmes brasileiros 56 dias por ano. Cerca de trezentos cineclubes participam da reunião nacional em Porto Alegre. No Rio, Carlos Lacerda cria a Comissão de Ajuda à Indústria Cinematográfica (CAIC). Crise na política, com greves, manifestações e comícios pedindo reformas de base.

 


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