Biografia

 

1953/

1954

  Glauber escreve ao tio, Wilson Mendes de Andrade, falando do desejo de ser escritor. Lê Jorge Amado, Érico Veríssimo, clássicos da literatura juvenil, filosofia (Nietzsche e Schopenhauer). Freqüenta o cinema e lê histórias em quadrinhos. Cursa o clássico no Colégio Central da Bahia. Torna-se membro do Círculo de Estudo, Pensamento e Ação (CEPA), "aparelho yntegralyzta bayano". Escreve o balé Sèfanu, "criticado pelos líderes intelectuais do terceiro ano Klassyko como Exoteryko e Homossexual"

• Grande seca no Nordeste. Em Salvador, o pioneiro do cinema baiano, Alexandre Robatto Filho, lança o curta-metragem “Entre o mar e o Tendal” documentário sobre a pesca do xaréu que marca o cinema baiano dos anos 50 e o Glauber de “Barravento”. A Vera Cruz produz “O Cangaceiro”, de Lima Barreto, “Sinhá Moça”, filme de época, e a comédia “Uma Pulga na Balança”. A Atlântida lança “Uma Dupla do Barulho”, de Carlos Manga, e “Amei um Bicheiro”, de Jorge Ileli e Paulo Wanderley. A Multifilmes produz o primeiro longa-metragem em cores, “Destino em Apuros”. Alex Viany dirige “Agulha no Palheiro”. Alberto Cavalcanti propõe a criação do Instituto Nacional do Cinema (INC). Suicídio do Presidente Getúlio Vargas, comoção nacional. Falência da Vera Cruz, depois de produzir “Floradas na Serra”, com Cacilda Becker e Jardel Filho. Alberto Cavalcanti filma “O Canto do Mar” e “Mulher de Verdade”. Alex Viany dirige “Rua sem Sol”. Carlos Manga dirige “Nem Sansão nem Dalila” e “Matar ou Correr”. Watson Macedo dirige “O Petróleo é Nosso”. Surge a Revista de Cinema de Belo Horizonte.

 

1955 A partir de uma idéia de Fernando da Rocha Peres é criado o grupo Jogralescas Teatralização Poética, do qual Glauber faz parte. O grupo encenava poesias brasileiras.

• Nelson Pereira dos Santos realiza “Rio, 40 Graus”. A baiana Marta Rocha é recebida com festa em Salvador depois de ficar em segundo lugar no concurso de Miss Universo, por duas polegadas. A morte de Carmem Miranda leva multidões ao seu enterro, no Rio.

 

1956

Fundação da Sociedade Cooperativa de Cultura Cinematográfica Yemanjá. Primeira apresentação do grupo Jogralescas Teatralizações Poéticas, em setembro, no aniversário do Colégio Central da Bahia. Glauber participa do grupo, que encena poesias brasileiras, a maioria de poetas modernistas. Conhece Milze Maria Soares. Colabora no filme “Um dia na Rampa”, curta-metragem de Luiz Paulino dos Santos filmado no Mercado Modelo de Salvador.

 • Juscelino Kubitschek é o Presidente da República, tendo como vice João Goulart. A cultura na Bahia ganha novo impulso com a criação da Escola de Teatro da Universidade da Bahia, dirigida por Martim Gonçalves, o curso de música dirigido pelo maestro Hans Koellreuter, a Escola de Dança, dirigida por Janka Rudzka. Criação da Cinemateca Brasileira em São Paulo. Lançado “Colégio de Brotos”, de Carlos Manga.

 

1957 Entra para a Faculdade de Direito da Universidade da Bahia, que cursaria até terceiro ano. Chamado por Ariovaldo Matos, participa do jornal de esquerda O Momento. Colabora nas revistas culturais Mapa e Ângulos e no semanário Sete Dias. Com poucos recursos, filma Pátio, utilizando sobras de material de Redenção, de Roberto Pires (primeiro longa-metragem baiano).
Visita, em Belo Horizonte, o Centro de Estudos Cinematográficos (CEC) de Minas Gerais, onde entra em contato com Frederico de Moraes, Maurício Gomes Leite, Flávio Pinto Vieira, Fritz Teixeira Salles, Geraldo Fonseca, responsáveis pelas edições da Revista de Cinema e revista Complemento. "O negócio é o seguinte, a Revista e o CEC são as trincheiras do cinema tupiniquim, vocês ainda têm a revista Complemento e daqui nós vamos começar a guerra, vamos derrubar o que sobrou da Vera Cruz (. . .)" . Glauber propõe àqueles intelectuais as idéias iniciais para um cinema novo, "(. . .) mas sou considerado visionário, e expulso de Belo Horizonte vou ao Rio e levo o projeto a Nelson Pereira dos Santos (. . .)"

1958

Glauber inicia sua carreira jornalística como repórter de polícia do jornal da Bahia, onde trabalha ao lado de Inácio de Alencar, Ariovaldo Matos, Paulo Gil Soares, Fernando da Rocha Peres e Calasans Neto. Posteriormente, começa a publicar artigos sobre cinema e assume a direção do Suplemento Literário. Passa a escrever para a página "Artes e Letras", do suplemento dominical do Diário de Notícias, de Salvador, e para o Suplemento Dominical do Jornal do Brasil (SDJB). Nessa época também trabalha como funcionário público da Prefeitura de Salvador.

 • Desenvolvimento do cinema paulista. Roberto Santos filma “O Grande Momento”; Walter Hugo Khoury dirige “Estranho Encontro”; são lançados “Cara de Fogo”, de Galileu Garcia, e “Rebelião em Vila Rica”, de Geraldo e Renato Santos Pereira. No Rio de janeiro surge a Federação dos Cineclubes.

 
1959

Glauber viaja a São Paulo para participar com Walter da Silveira do Congresso dos Cineclubes. Mostra o copião de “Pátio” a Walter Hugo Khoury. Conhece, em São Paulo, Paulo Emílio Salles Gomes, Almeida Salles, Rudá de Andrade, Jean-Claude Bernardet, Gustavo Dahl. Viaja para o Rio, onde monta e conclui “Pátio”. Lança “Pátio” em Salvador e promove sessões no Rio. Em 30 de junho, Glauber casa-se em Salvador com a colega de universidade e atriz de “Pátio”, Helena Ignez. Por exigência do padre, Glauber recebe batismo católico e acrescenta Pedro ao seu nome, assinando Glauber Pedro de Andrade Rocha. Passa a lua-de-mel no Hotel Quitandinha, no Rio de janeiro, e compra uma câmera Arryflex 35 mm "por sessenta contos com tripé e sem zoom". Inicia, logo após o casamento, as filmagens, no Terreiro de Jesus, em Salvador, de seu segundo curta-metragem, o inacabado, “Cruz na Praça”, baseado num conto de sua autoria, "A Retreta na Praça", publicado no Panorama do conto baiano. O filme não foi terminado, "pois quando vi o material montado, compreendi que essas idéias não funcionavam mais, que a minha concepção estética já não era a mesma". Publica artigos sobre cinema no Jornal do Brasil e no Diário de Notícias.

 • Torna-se obrigatória a exibição de filmes brasileiros 42 dias por ano. “Aruanda”, de Linduarte, é filmado na Paraíba; no Rio, “Arraial do Cabo”, de Paulo César Saraceni e Mário Carneiro; lançamento de “Redenção”, de Roberto Pires, o primeiro longa-metragem baiano. Floresce a produção dos jovens cineastas cariocas, baianos e paulistas. No Rio, “O Homem do Sputinik”, de Carlos Manga, lança Norma Benguell, em São Paulo Rubem Biáfora produz “Ravina”. “Orfeu Negro”, dirigido pelo francês Marcel Camus, filmado no Rio e adaptado de uma peça de Vinícius de Moraes, ganha a Palma de Ouro em Cannes e o Oscar de melhor filme estrangeiro. Criado o Museu de Arte Moderna da Bahia, dirigido por Lina Bo Bardi. Na América Latina, vitória da Revolução Cubana.

 

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