FICHA TÉCNICA

Ficção, longa-metragem, 35mm, colorido (Eastmancolor/ Cinemascope). Rio de Janeiro, 1980. 4.350 metros, 160 minutos; Companhias produtoras : Embrafilme, CPC (Centro de Produção e Comunicação), Glauber Rocha Comunicações Artísticas, Filmes 3; Distribuição: Embrafilme; Lançamento: 17 de novembro de 1980, Brasília;Produtor: Glauber Rocha; Diretores de produção:Tizuka Yamasaki, Walter Schilke; Gerente financeiro: Haroldo Born de Silva; Produtores executivos: Carlos Alberto Diniz, Wilson Mendes Andrade Jr. (Quim); Assistentes de produção: Yurika Yamasaki, Alice Ozawa, Urbano de Castro Pires, Antonio Alves Cury, Nivalda Silva Costa, Francisco Luis Drumond Neto, João da Rocha Freitas Neiva, João Melo, Maria de Fátima Barreto, Sheila Maria Lopes Torres, Telma Melo Duarte Guimarães; Diretor: Glauber Rocha; Assistentes de direção: Carlos Alberto Caetano, Tizuka Yamasaki; Argumentista e roteirista: Glauber Rocha; Diretores de fotografia: Roberto Pires, Pedro de Moraes; Câmara: John Howard Shemman; Assistentes de câmara: Roque Araújo, Alonso Rodrigues dos Santos, Jaime Schwartz, Antonio Carlos Seabra; Fotógrafos de cena: Sônia Nercessian, Paula Gaetan, Tizuka Yamasaki, Pedro de Moraes, Carlos Cox; Chefe eletricista: Roque Araújo; Eletricista: José Pereira dos Santos; Assistentes de eletricista: Sebastião de Luna, Sandoval Santos Silva, José Caetano de Lima; Técnico de som: Sylvia Maria Amorim de Alencar;Mixagem: Roberto Leite e Onelio Mota; Assistentes de som: Rony Castro Pires, Antonio Raimundo dos Santos, Raul Manuel Quinteros Riquelme, Rodolfo Brandão, Sergio Santos Cravo, Luis Antonio Prado, Paloma Rocha; Montadores: Carlos Cox, Raul Soares, Ricardo Miranda; Montagem de som: Jorge Saldanha; Cenógrafos: Paula Gaetan, Raul Willian Amaral Barbosa; Assistente de cenografia: Nilde Maria Goebel; Contra-regra: Antonio Raimundo dos Santos; Figurinistas: Paula Gaetan, Raul Willian Amaral Barbosa; Assistente de figurinos: Nilde Maria GoebelCostureira Nalva Djanira da Silva; Música: Villa-Lobos, Jorge Ben, Jamelão, Nanã, Mozart, folclore brasileiro; Diretor Musical: Rogério Duarte; Arranjador musical: Vivaldo Santa Pereira;Músicos: Pascoal Trindade Reis, Antonio Apolinário Andrade, Lidio Marques de Sousa, Alvaro dos Santos Cerqueira, Antonio Ferreira da Anunciação, Manoel Natividade Passos;Orquestra: Orquestra Mística da Bahia; Continuístas. Suely Seixas Nunes Neiva, Laura Teresa Fernandes Carneiro, Paloma Rocha; Locações: Rio de Janeiro, Salvador, Brasília; Laboratório de imagem: Líder Cine Laboratórios ; Estúdio de som: Nel-som; Prêmios: Menção Honrosa a Norma Bengell- XXXVII Mostra Internacional de Cinema, Veneza/1980, Prêmio do Museu de Arte Moderna de Cartagena- XXII Festival de Cinema de Cartagena; Elenco:Maurício do Valle; Jece Valadão; Antonio Pitanga; Tarcísio Meira, Geraldo D’EI Rey; Ana Maria Magalhães; Carlos Petrovicho; Norma Bengel; Mário Gusmão; Danuza Leão; Glória X ; Laura Y; Paloma Rocha; Participação de: Carlos Castello Branco, João Ubaldo Ribeiro, Raul de Xangô, Tetê Catalão, Paula Gaetan, Ary Pararraios, Clyde Morgan, Gerard Leclery, Rogério Duarte, Sandoval, Telma Duarte, Adelmo Rodrigues da Silva, Ari José de Oliveira, Albertino dos Santos, Amaro Santos da Silva, Alexandre Dumas Valadares Ribondi, Davi Antonio Neto, Dimer Camargo Monteiro, Fernando Lemos, João José Miguel; Jorge Henrique Tosta da Silva, João Antônio de Lima Esteves, Janduir de Lima Soeiro, José Justino da Silva, João José Prazeres (Cego), Maria Conceição Bispo dos Anjos, Maria da Glória de Meneses Gelto, Marly Viana de Sousa, Romário Cesar Schettino, Vanderley dos Santos Catalão, Wanilda Silva Machado.

SINOPSE

"Trata-se de um filme que joga no futuro do Brasil, por meio da arte nova, como se fosse Villa-Lobos, Portinari, Di Cavalcanti ou Picasso. O filme oferece uma sinfonia de sons e imagens ou uma anti-sinfonia que coloca os problemas fundamentais de fundo. A colocação do filme é uma só: é o meu retrato junto ao retrato do Brasil.

Esse filme estaria para o cinema talvez como um quadro de Picasso. Os críticos estão querendo uma pintura acadêmica, quando já estou dando uma pintura do futuro.

Na criação artística o maior empecilho é o medo. Os autores que criaram grandes obras na América Latina venceram o medo para não sucumbir ao terrorismo do complexo de inferioridade. Eu, inclusive, rompi este complexo no berro.

Eu não tenho medo de criar, se tiver engenho e arte vou em frente. É necessário não ser babaca, pois a babaquice é o maior inimigo do artista.

Arnaldo Carrilho me disse uma vez diante das ruínas de Pompéia (era um domingo entre janeiro e março de 1965) que Simon Bolívar subiu no Vesúvio e de lá meditou sobre a América Latina: daí partiu para sua ação política. Verdade ou mentira quero partir do vulcão".

Glauber Rocha


"É um filme que o espectador deverá assistir como se estivesse numa cama, numa festa, numa greve ou numa revolução. É um novo cinema, anti-literário e metateatral, que será gozado, e não visto e ouvido como o cinema que circula por aí. É um filme que fala das tentativas do Terceiro Mundo... fala do mundo em que vivemos. Não é para ser contado, só dar para ser visto. De "Di Cavalcanti" para cá eu rompi com o cinema teatral e ficcional."

COMENTÁRIO

"Mosaico sinfônico. "A Idade da Terra" se insere solidamente dentro da tradição artística latino-americana. A proposta de aprisionar o espírito de uma nacionalidade numa só obra remete direto aos muralistas mexicanos. A imagem de Rivera - ou seria Siqueiros? - em cima de uma escada, pincel na mão, diante de uma superfície imensa que reduzia a bem pouco o tamanho do artista, compondo em figuras toda a história de seu povo evoca a de Glauber Rocha envolvido anos a fio nos quilômetros de fita que ele mesmo gerou na fadiga quixotesca (ou dantesca?) de contar seu país. O exacerbamento nacionalista de sua obra, despido agora de qualquer compromisso narrativo, encontra enfim seu estado puro. Como se não existisse a dimensão do tempo - "só o real é eterno” - o filmemural dispõe seus blocos de significados espacialmente, numa estrutura atonal que avança por rupturas entre a Bahia, Brasília e Rio. Nascimento de Cristo, Cristo-povo e Cristo-Rei, Cristo guerreiro e Cristo profeta, o mundo sem Cristo e por toda a parte, Brahms, o anti-Cristo. Esta parábola, em si mesmo uma sucessão de parábolas, e disposta como num quadro de batalha em que há varias ações simultâneas e o olho passeia dentro dele, ordenando-as. (...)"

Deus e o Diabo na Idade da Terra em Transe, de Gustavo Dahl
em Jornal do Brasil
Rio de Janeiro, 25/nov./1980.

"Glauber Rocha, usualmente, é como Wagner: cuidado com o espectador sufocado. E os críticos de Veneza 80, que acabaram com "A Idade da Terra", certamente não subiram os degraus da escadinha que os teria colocado na altura, largura e profundidade do quadro. Não se olha Guernica colado ao canto esquerdo do quadro".
Sylvie Pierre  (Libération, 1/4/82)


FRASES

 "A Idade da Terra" é um filme que o espectador deverá assistir como se estivesse numa cama, numa festa, numa greve ou numa revolução. É um novo cinema, antiliterário e metateatral.

Glauber Rocha

"Ele se bateu contra o impossível, à impossibilidade de ser um grande cineasta do Terceiro Mundo, um grande cineasta negro".

"A Idade da Terra é uma impossibilidade grandiosa, uma travessia do mundo e do tempo, uma descoberta da América na contramão, um Encouraçado Potemkin negro, ou seja, informe, cheio de gestos e ritmado, anti-clássico ao extremo – um escarro de sangue na cara do cinema atual, dominado pela doçura ....."

Pascal Bonitzer, 22 de agosto de 1981

"Estranho, estranho filme, que faz com que seus filmes anteriores apareçam como exercícios comportados e pálidos."

Pascal Bonitzer

"Sou um artista coletivista que está aberto; um anti-artista. Sou uma pessoa do povo. Sou um camponês de Vitória da Conquista. “A Idade da Terra” seguirá o mesmo itinerário dos outros filmes, criará polêmica, será odiado, será adorado."

Glauber Rocha

"...mesmo porque em matéria de linguagem cinematográfica, montagem, estrutura, foi tudo refeito, subvertido, reestruturado. É um estilo barroco, reconstrutivista, coisa muito nova que os brasileiros que viram o filme estão adorando."

Glauber Rocha