RELATÓRIO – RESTAURAÇÃO E DIFUSÃO DIGITAL O DRAGÃO DA MALDADE CONTRA O SANTO GUERREIRO


  • Início das negociações com a empresa de restauração Prestech Film Laboratories (Londres) – em 24 de maio de 2005
  • Em junho de 2005 foi feita a retirada na Cinemateca Brasileira da cópia com legenda em francês do filme para restauração na Prestech
  • Início do processo de restauração do filme O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro setembro de 2005
  • Apresentação dos testes em 35mm, a partir do restauro em 4K (4000 pixels) garantindo assim a recuperação original das cores do filme. O teste foi apresentado por João Sócrates à Paloma Rocha em Paris, na França. O mesmo teste foi copiado em DVD e apresentado a Eduardo Escorel e Affonso Beato, respectivamente montador e fotógrafo original do filme.
  • Foi o primeiro filme brasileiro beneficiado pela tecnologia de restauro em 4K.
  • À medida que o filme era restaurado era enviado rolo a rolo para aprovação no Brasil.
  • Foram realizados visionamentos no Laboratório Prestech por Paloma Rocha e Joel Pizzini, durante uma semana e mais três visitas do fotógrafo Affonso Beato para marcação de cor desta versão.

A RESTAURAÇÃO

Com o negativo original destruído por um incêndio ocorrido no Laboratório GTC em 1973, na França, “O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro” foi recuperado a partir de uma cópia preservada pela TV alemã, distribuída na Europa pelo co-produtor Claude Antoine.

De acordo com os documentos pesquisados, o co-produtor, Claude Antoine manteve um internegativo preservado com versão sonora francesa e, portanto subtitulado em francês quando se tem canções em português. Este internegativo gerou a cópia que veio para o Brasil em 1983 e que por sua vez, gerou o master e todas as cópias que conhecíamos até este restauro em 2007.

A versão de som original estava em Cuba em outra cópia certamente enviada para lá pelo próprio Glauber Rocha.

Declaração de João Sócrates de Oliveira, curador do restauro e diretor da Prestech Film Laboratories – em Londres

A primeira etapa é a intenção de restaurar. Primeiro é necessário haver a intenção, depois é necessário fazer o levantamento de fundos, ou seja, cópias existentes do material, o que sobreviveu no tempo até a data que você está iniciando o restauro.Aí começa um trabalho sobre o filme, você tem que recolher esses filmes e passar a compará-los, analisá-los, a ver quais são os que são os mais completos. Essa etapa de coleta dos materiais existentes é, digamos, a etapa crucial na preparação do restauro. Depois, esse material tem que ser analisado com um equipamento, onde você consegue visualizar 4 ou 5 cópias ao mesmo tempo e ciclo. Um relatório deve ser feito, que orientará o que se retirar de cada parte do filme. No caso do O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro, a única opção viável era a restauração digital, porque o filme se perdeu em um incêndio, e se perderam todas as fontes de melhor qualidade do filme. No início dos anos 80, se localizou uma cópia muito boa em Berlim. Essa cópia foi o objeto utilizado no restauro fotoquímico no início dos anos 80, feito na Cinemateca Brasileira onde eu trabalhava.

Um fato muito importante, que eu me lembro é que por questões econômicas, não se teve condições de se usar o filme apropriado. Desta maneira foi utilizado como alternativa mais econômica, negativo de câmera como suporte para fazer o internegativo. O estado de conservação física deste internegativo hoje está fisicamente bom. No entanto, a imagem já apresenta sinais de deterioração, de esmaecimento.Isso é comum em filme colorido e é uma característica do processo. Então, tem que se corrigir a distorção, tem que se corrigir a deterioração do internegativo e há, também, o fato de que a cópia que nós usamos pra gerar esse internegativo não era uma cópia perfeita, era uma cópia usada, uma cópia feita nas condições que se fazia naquela época, onde há muita poeira que foi fotografada, riscos, sinais de uso do negativo original.

O Processo então passa por mesa de enrolar, passa por sincronizador, passa por limpadora de ultrasom, passa por telecine e scanner. Cinco máquinas, no mínimo. O Telecine utilizado para este “scaneamento” possui resolução de 1.380 pixels horizontais. Cada 10 minutos de filme são 16.000 quadros, quer dizer, leva um bom tempo para “scanear”, mas o resultado é uma qualidade da imagem muito boa. A gente realmente faz questão de restaurar em 4.000 pixels para fazer justiça à imagem original do filme. O internegativo passa sobre uma cabeça ótica do telecine. A imagem é recolhida, digitalizada e vai para um computador aonde a imagem é conformada em um quadro. Claro, são aqui no caso 24 quadros por segundo, então o processamento é muito rápido. Nesse telecine, a gente utiliza uma janela molhada, o papel da janela molhada é o de neutralizar o efeito dos riscos no filme de maneira que quando a imagem é capturada todos os riscos que estão na superfície desse filme são eliminados. Isso reflete numa redução do trabalho subseqüente que seria o trabalho de retoque dos arquivos que foram copiados digitalmente. A maneira mais comum é de abrir o filme na sessão de trabalho e depois abrirmos duas cópias do filme. Uma que a gente vai salvar e a segunda que a gente usa como instrumento aonde se pode deslocar um quadro, dois quadros, três quadros em qualquer sentido de maneira que você usa uma ferramenta (software) que elimina o quadro do qual você está trabalhando naquela posição e revela o quadro que está por baixo. Como é muito improvável que você tenha a mesma mancha nos dois quadros, vai revelar uma parte do quadro sem mancha. E como vai ser muito próximo, isso é uma diferença de 1/24 de segundo (tempo), o olho não detecta essa pequena diferença.

Quando se tem movimento na cena e se for um movimento rápido, quando se move um quadro, um quadro vai ser muito diferente um do outro, então não é possível fazer assim. Neste caso a única forma de fazer essa integração é através de clonagem do próprio fotograma e o mesmo procedimento é utilizado com emendas, deformações e outros...  Utilizamos três estações de trabalho para esse projeto. Em uma máquina, o operador está retocando basicamente sujeiras. A outra máquina está se preparando para fazer a correção de cor. Tudo é absolutamente controlado. Não tem nada feito automaticamente, quer dizer, não há nenhum acidente digital. Usamos o “Cineon” que é um instrumento que trabalha em 10 bits logarítmicos, nós temos condições de mover as cores de uma forma independente nas sombras, nas partes mais escuras da imagem, na parte mais clara da imagem no centro, conseguimos movimentar valores de branco e todos os valores de cor. É praticamente ilimitado o que é possível fazer, mas leva tempo... O rolo oito foi o que a gente determinou toda a nossa estratégia de recuperação de cor, a gente fez 4 ou 5 vezes, no rolo oito nós trabalhamos dois meses.

Restauração de som de “O Dragão Da Maldade Contra O Santo Guerreiro”

Depoimento de José Luiz Sasso - JLS Facilidades Sonoras 

Como todas as matrizes de imagem e som de “O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro” foram perdidas no incêndio de um laboratório cinematográfico na França, este filme de Glauber Rocha, em particular, teve como primeiro e grande objetivo no processo de restauração de som, “a garimpagem de materiais sonoros” que ainda existiam aqui no Brasil e em outros países.

Foram praticamente seis semanas de audições para que se conseguisse chegar ao ponto de se ter em mãos o áudio completo do filme e com isso poder “recuperar e restaurar” seu som original.

Dentro dessa pesquisa e por mais incrível que isso possa parecer, o áudio que se apresentou como “sendo o mais completo e de qualidade razoável”, foi aquele encontrado em um telecine realizado por volta do ano de 1993 em fita U-Matic e que estava muito bem preservado na Cinemateca Brasileira.

Esse “achado” foi considerado por todos como sendo a "coluna mestra" de toda restauração de som. Mas mesmo assim, esse material estava incompleto, pois desde aquela época a única cópia existente já estava bastante danificada e com isso apresentando uma grande perda de fotogramas de imagens e conseqüentemente "sons".

Para dar continuidade ao processo de restauração sonora, foi necessário utilizar-se tudo o que havia disponível em se tratando de áudio existente e pesquisado anteriormente. Desde uma cópia em 16mm sonoramente muito ruim, assim como uma versão do filme que estava no MAM (RJ) e que fora remixada por causa da censura imposta ao filme (onde textos inteiros foram substituídos por músicas), além de sons ambientais e ruídos extraídos de uma versão dublada em francês.

Com a utilização de tais materiais conseguiu-se recuperar, ruídos, trechos musicais, sílabas, palavras e até mesmo frases que faltavam ou estavam “totalmente mutiladas”.

Por exemplo, na seqüência onde Hugo Carvana e Odete Lara cantam “Carinhoso”, tal canção só pôde ser restaurada na íntegra graças a uma versão pirata existente na Internet e que foi obtida pela filha de Glauber, Paloma Rocha em um site na Itália!

Enfim... Após praticamente oito meses de trabalho chegou-se a um resultado sonoro bastante bom e que agora poderá ser apreciado na versão restaurada e remasterizada deste ícone do Cinema Brasileiro – Glauber Rocha.

RELATÓRIO DO VISIONAMENTO DA RESTAURAÇÃO DO FILME

“O DRAGÃO DA MALDADE CONTRA O SANTO GUERREIRO”

Realizado por Paloma Rocha e Joel Pizzini em novembro de 2007 

Rolo 1 > 1ª plano da seqüência das crianças desfilando com a bandeira.

Restaurado João > 00:00:24:17

Versão sem restauro > 00:00:35:25

Falta o trecho final da seqüência quando entra a esquerda de quadro os tambores, o piston e o resto da banda (cerca de 6 seg.). Depois dessa cena é o Antônio (Maurício do Valle) no bar com o Hugo Carvana e Conceição Senna.

Pela metragem do som restaurado do Sasso, justamente o som da banda está invadindo a seqüência do bar, ou seja, falta um trecho. 

Rolo 2 >  falta no início do rolo o Antônio das Mortes entrando a esquerda de quadro andando em frente da casa de um lado para o outro até os outros personagens saírem da casa e ficarem parados em frente. Odete está na janela.

Cerca de 02 minutos faltando no início

Na versão restaurada entra direto com o Jofre (cego) e o Sante Scaldaferri parados em frente da casa.

Rolo 3 > Não identificamos problemas.

Rolo 4 > O rolo 9 veio duas vezes. Da primeira vez veio anotado como rolo 4, por isso que constatamos agora que não recebemos nunca a imagem deste rolo e que falta mais do que eu havia dito. 

FALTA O ROLO 4 INTEIRO.

Não consta aqui conosco, após o final do rolo 3, toda a seqüência:

* Do coronel distribuindo comida na praça;

* Do Santo Negro girando com a espada;

* Do bar com o Cangaceiro ferido;

* Da dança na gruta;

Rolo 5 >  Não identificamos problemas.

Rolo 6 > Montagem original: Após o jagunço comer a banana na casa do Coronel corta para plano geral do bar Alvorada com o professor em pé na porta. No decorrer da seqüência as pessoas saem da casa o Professor senta na escada da comida as cabras e o padre sai de quadro. O Professor permanece sentado com as cabras e acabo o rolo.

Na cópia que nos enviou restaurada: parece que tem “um rabo” de vídeo (o mesmo trecho repetido) do Professor sentado dando comida as cabras, cerca 10 seg., antecede o corte real que é do plano do jagunço comendo a banana para o plano geral da frente do bar Alvorada. Esse mesmo trecho está no final da seqüência como sempre foi.

Rolo 7 > Não identificamos problemas.

Rolo 8 > Observamos uma mancha redonda no canto direito e superior do quadro na cena da gruta, depois do tiroteio quando o jagunço vem para o 1º plano e sai de quadro. Essa mancha está em todas as cópias de vídeo que temos aqui no Brasil. Trata-se de uma mancha “histórica”...

Rolo 9 > Não identificamos problemas.

Rolo 10 > Não identificamos problemas.

Rolo 11 > Não identificamos problemas.

Com isso concluímos nosso primeiro relatório.

Sobre as janelas:

Observando melhor notei que você realmente optou pelo equilíbrio do quadro. Não tenho nada para re-scanear. Paloma Rocha

Ficha Técnica da Restauração

Direção do Projeto: PALOMA ROCHA

Restauração Digital: PRESTECH FILM LABORATORIES

Restauração de Som: JLS FACILIDADES SONORAS e CINEMATECA BRASILEIRA

Supervisão de Fotografia: AFFONSO BEATO

Curadoria: JOEL PIZZINI

Produção Executiva: PALOMA ROCHA

Coordenação de Produção: TÁSSIA MILLY

Assistente de Produção: SARA ROCHA

Patrocínio: PETROBRAS (através da Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura do Governo Federal)

Realização: PALOMA CINEMATOGRÁFICA e TEMPO GLAUBER

Empresa Proponente: GRUPO NOVO DE CINEMA E TV

Apoio Cultural: ASSOCIAÇÃO DOS AMIGOS DO TEMPO GLAUBER (AATG), FUNDO NACIONAL DE CULTURA e ESTÚDIOS MEGA

Apoio: RUMIN FILMES, FACULDADE DE TECNOLOGICA E CIÊNCIAS DA BAHIA (FTC), HOTEL VILA VELHA, LINK DIGITAL e HOTEL PORTOBELLO.

  • 1ª Exibição do filme restaurado na mostra Cinema na Terra, da Exposição Glauber Rocha: Uma Revolução Baiana – 14/03/2008, Bahia. (35mm)
  • Exibição do filme restaurado na mostra “5 Vezes Glauber”, Cinemateca Brasileira – 21/06/2008, São Paulo. (formato digital, HDCam)
  • Lançamento Nacional em Circuito Comercial, no dia 30 de maio de 2008

    Distribuição: Riofilme

    Pré-estréia: 27 de maio de 2008, nas 2 salas somando 415 lugares

    Unibanco Artplex – Praia de Botafogo

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PLANO DE DISTRIBUIÇÃO

O DRAGÃO DA MALDADE CONTRA O SANTO GUERREIRO

35mm RESTAURADO

Fundada em 1992, a Riofilme vem desempenhando um papel fundamental na revitalização do cinema brasileiro durante a última década, contribuindo significantemente para a retomada da produção e distribuição cinematográfica no país, especialmente no mercado interno. Com a ampliação de nossas atividades para nos tornar muito mais do que uma simples distribuidora de filmes, tomamos iniciativas de apoiar, amplificar o mercado dos exibidores, sensibilizar o público para o cinema brasileiro e encorajar a produção de curtas, médias e longas-metragens, entre outras atividades que atestam nossos investimentos para aumentar a cota de exibição do cinema brasileiro no mercado doméstico, visando maiores resultados em longo prazo.

Premiado com a Melhor Direção no Festival de Cannes de 1969, “O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro” volta às telas restaurado após 39 anos de seu lançamento no Brasil, com distribuição da Riofilme (lançamento 05/2008 e ainda em circuito) ao mesmo tempo em que é lançado em DVD duplo, pela Versátil Home-Vídeo, acompanhado do documentário “Milagrez” de Paloma Rocha e Joel Pizzini, que revela toda a trajetória do clássico de Glauber Rocha.

Sua distribuição nacional no circuito comercial com 3 cópias do filme restaurado já atingiu algumas das principais praças do mercado cinematográfico como Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Fortaleza, Recife, Porto Alegre com estimativa de público de mais de 2 mil espectadores e está ainda em comercialização. Em agosto entrará em cartaz em Salvador na inauguração do cinema Glauber Rocha.

Até o término do contrato de distribuição firmado entre a Riofilme e a Paloma Cinematográfica, todas as cópias estarão disponíveis para exibição em salas comerciais, festivais, mostras, entre outras. Dessa forma atingimos, assim como as outras distribuidoras no projeto Coleção Glauber Rocha – Fase 1, o objetivo que é o de facilitar o acesso das novas gerações as obras de um dos cineastas mais importantes de nosso país.

POR: Antônio Urano – Riofilme (Distribuidora de Filmes S/A)

  • Depositado na Cinemateca Brasileira para preservação os materiais do filme restaurado:
  • 01 Negativo de Imagem restaurado
  • 01 Negativo de Som restaurado
  • 01 Cópia 35mm para preservação
  • Cópia zero 35mm para visionamento com 2 rolos repetidos
  • 01 Fita HDCam SR124’ com filme restaurado
  • 01 Fita HDCam 124’ com filme restaurado
  • Master utilizado para restauração, cópia em 35mm do filme legendado
  • 13 discos de dados (em HD externo) com back-up da restauração      
  • DVD Duplo

Disco 1

  • Filme restaurado O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro
  • O Retorno do Dragão (doc. sobre restauração)
  • Seleção de Capítulos
  • Créditos da Restauração
  • Seleção de Legendas

Disco 2

  • Documentário Milagrez (12 capítulos)
  • Extra Campo (ensaio fotográfico)
  • Ficha Técnica
  • Seleção de Legendas

MILAGREZ é um documentário produzido especialmente para o relançamento do filme restaurado. Para a sua realização foram incorporados na montagem entrevistas exclusivamente produzidas com a equipe e elenco do filme, críticos jornalistas e artistas que participaram dos movimentos de 1968, com destaques para José Celso Martinez Correia e Jaen Pierre Gorin.  Foi recuperado um vasto material de acervo sonoro em fitas K7(entrevistas com Glauber Rocha), além de registros de imagem e som dentre eles um documentário produzido pela TV alemã que registrou o set das filmagens na época. Foram recuperadas e digitalizadas com o apoio da Cinemateca Brasileira e do Arquivo Nacional 400 fotos de cena e de bastidores para o projeto Este material está devidamente preservado e, sobretudo disponível em ensaio no DVD. Incluímos ainda um documentário sobre o processo de restauração. Este documentário originou a série para TV intitulada Sertão Glauber exibida em maio de 2008 na TV BRASIL.

SINOPSES dos capítulos do documentário:

  1. MILAGREZ – Idealizado para elucidar o método de direção utilizado por Glauber Rocha na realização do filme “O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro”, o episódio traz declarações reveladoras do diretor durante as filmagens no sertão baiano em 1968. Entrevistas exclusivas com o elenco, a equipe e críticos de cinema.
  2. O ANO DO DRAGÂO – O Ano era 1968 – Em entrevista para Alfredo Guevara em Cuba, Glauber Rocha fala sobre a ditadura no Brasil, o AI-5, o papel do intelectual na América Latina e as manifestações de uma arte revolucionária - o Maio Francês e o Tropicalismo. Imagens do documentário 1968, direção de Glauber Rocha e entrevista exclusiva com Ronaldo Duarte e Conceição Senna, refletem a violência do período que o filme o Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro foi produzido.
  3. VEREDAS – O processo de criação Glauber Rocha, é abordado pelos diversos aspectos do fazer cinematográfico: figurinos, fotografia, música e mis-en-scéne. O diálogo com o cinema de Western, desde a infância. Entrevista com a mãe do cineasta.  Da produção roteiro até as filmagens com os atores de “O Dragão da Maldade Contra O Santo Guerreiro”. O diretor relata seu método de dirigir o povo, para que se tenha uma melhor compreensão das origens e a formação de sua obra. A linguagem e a ditadura.
  4. O SANTO GUERREIRO – Glauber Rocha, o Produtor, e sua tática econômica de conquista de mercado, através de um cinema brasileiro que refletisse a realidade social, combatendo o populismo vulgar e o popularesco que explora o sexo e a violência pra ganhar dinheiro e dizendo que isso é o cinema. Sua relação com a televisão francesa. O sucesso de bilheteria e da crítica. O Cinema Novo. Como conseguir os financiamentos em 1968.
  5. TROPICOLOR – O que é Tropicolor? Tropicolor é uma invenção baiana. Uma fotografia desenvolvida pelo fotógrafo Affonso Beato e por Glauber Rocha para exaltar o sertão tropical nas suas cores vibrantes em resposta a movimentos cinematográficos europeus de cores e coisas das latitudes de clima temperado. Foi elaborada uma fotografia de alto contraste e alta densidade, alta saturação. Tropicolor é o expressionismo tropical.
  6. ARQUÉTIPOS – Entrevistas com atores do filme revelam o dia-a-dia das filmagens e a criação dos personagens. O roteiro e a improvisação em cena aberta fitas de acervo da Rádio Jequié com depoimentos de Maurício do Valle e Lourival Pariz. A arqueologia cinematográfica através de equipamentos da época a serviço da arte e da produção de um dos grandes clássicos do cinema moderno.
  7. CANTORIAS – O episódio mostra que O “Dragão”, tem uma comunicação sobre a música brasileira. Tem a música barroca, jesuítica, a música que o povo canta; a música negra, a música índia. A Música é a fusão da cultura branca do sertão com cultura negra do litoral, como se houvesse ali uma transição, que Milagres fossem uma região que estivesse na fronteira dessas duas dimensões culturais do nordeste da Bahia. É um dado etnológico, é um dado local, esses cantos de Milagres.
  8. PLANO SEQUENCIA X SOM DIRETO – Glauber expõe seu conceito de filmar e montar o “Dragão”, partindo do “zero” sem querer impor uma linguagem à realidade brasileira, mas disposto a entrar em contato com essa realidade e ver quais são as suas estruturas significantes e materializá-las numa montagem audiovisual e uma montagem dialética. Dialogando com historiadores de cinema e a crítica especializada se estabelece uma relação da obra de Glauber no cenário internacional.
  9. TROPICAOS – O espetáculo coreográfico que o “Dragão” oferece, está na mesma perspectiva da estética do tropicalismo e gera uma discussão da pauta nacional não tanto a partir da idéia da escassez, mas a partir da idéia da exuberância. O mundo, até então, tinha uma metade que dominava a de baixo, e de repente a metade de baixo acende. Acende e estoura o positivismo que vem do hemisfério norte e introduz outras categorias. Introduz a vertigem, introduz o humor, introduz o delírio, introduz a vida, assim, na sua dimensão mais poderosa possível, o poder da imagem, o poder da fala, o poder do canto, o poder da multidão.
  10. OPERAÇÃO DRAGÃO – Este episódio tem ligação direta com o episódio “O SANTO GUERREIRO”, Sobre as estratégias e os conceitos de produção e distribuição. O cinema novo sempre lutou contra a mitologia dos atores sobre o público, contra a linguagem de imitação de Hollywood ou da Europa, quer dizer, então nós preferimos partir do zero e aprender a fazer o cinema de novo, a imitar. Aí, evidentemente, alguns filmes saem bons, outros saem ruins, mas como é um trabalho coletivo, no global, interessa é que nós produzimos em quinze anos, cem filmes, entre curtas e longas. Glauber Rocha
  11. ECOS DE CANNES – A repercussão do filme “O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro”, no Festival de Cannes de 1969, quando Glauber Rocha ganhou a Palma de Ouro de Melhor Diretor. As críticas no Brasil e no mundo. As conseqüências na carreira do diretor.
  12. Rocha por Scorsese – Entrevista com Martin Scorsese de 30 minutos dividida em três programas. Na entrevista o diretor norte-americano fala sobra a influência da obra de Glauber Rocha na sua carreira e a sua paixão pelo “Dragão”.
  13. O Retorno do Dragão – Este episódio trata do projeto de restauração digital do filme “Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro” realizado na Inglaterra. Participam da entrevista: João Sócrates de Oliveira (Prestech Film Laboratories), Patrícia Di Filippi (da Cinemateca Brasileira), José Luiz Sasso (JLS Facilidades Sonoras) e Paloma Rocha (diretora do projeto de restauração).

Lançamento do DVD Duplo



Esta Edição Especial em DVD duplo apresenta a versão restaurada de O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro e mais de duas horas de extras, incluindo o documentário inédito Milagrez, de Paloma Rocha e Joel Pizzini, com entrevistas inéditas de Glauber Rocha, Martin Scorsese dentre outras personalidades da nossa cultura. Traz raro material de arquivo pertencente ao Acervo do Tempo Glauber, destacando-se o making of produzido na época, fotos de cena e os bastidores do prêmio de Melhor Direção no Festival de Cannes de 1969, concedido ao cineasta.

O lançamento do DVD duplo aconteceu no lançamento da caixa que contém as 4 obras do cineasta restauradas “Coleção Glauber Rocha – Fase 1” no Rio de Janeiro, 27/05/2008, na pré-estréia do filme em 35mm “O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro” – Artplex